Como
tem percebido o seu lugar no mundo e a sua ligação
com o universo?
Este
tema fala-nos da dificuldade de encontrarmos o nosso
lugar em dois tipos de posicionamentos: um interno,
relacionado aos nossos próprios sentimentos e
emoções, interesses e segredos. Outro
externo, através das atitudes e conexões
com a realidade.
Fala também da nossa presença física
e espiritual, que, integrada no universo, representa
uma síntese de tudo o que existe: o microcosmo
dentro do macrocosmo.
Nossa inclusão universal só é compreendida
através de nós mesmos, através
de caminhos que liguem o coração à
compreensão e para que o movimento e a acção
estejam ajustados ao sentimento, três níveis
de sabedoria (movimento, sentimento e compreensão)
que se conjugam e que deveriam expressar-se em conjunto.
O
sentimento de alguém que encontrou o seu lugar
no mundo passa pelo propósito da própria
vida, a sensação de estar cumprindo algo
que faça sentido dentro de suas escolhas e integrado
em suas personalidades. Algo de criativo, e que ajude
o homem dentro de seu próprio caminho evolutivo.
Creio que a fé na vida encontra-se aqui.
Toda
a matéria e consciência no universo têm
um rumo com sentido à evolução.
Esta evolução é um processo inerente
e ocorre no desenvolvimento físico e psicológico.
Quando permitimos este processo contínuo acontecer,
o nosso lugar no mundo vai tomando forma, à medida
que experimentamos as mudanças e os processos
de nascimento e morte dentro de cada fase da vida.
Entretanto, nossos mecanismos de defesa, padrões
de comportamento que impedem-nos de estar a favor deste
continuum evolutivo, por vezes deixam-nos em lugares
onde não deveríamos estar, profissões
e trabalhos com os quais não nos identificamos,
casamentos formatados com “certificados de segurança”,
ou a sensação de que fomos trocados na
maternidade, por algum descuido, pois “esta não
pode ser a minha família” ou “eu
nasci no tempo errado”.
Estas
são queixas muito comuns em prática clínica.
Terapeuticamente, o lugar no mundo é percebido
quando o indivíduo encontra o seu lugar dentro
da família e nas relações inter
e intra pessoais. Para isto, o processo de auto-conhecimento
é fundamental: de onde vim, quem sou agora e
para onde quero ir, passado, presente e futuro interrelacionados.
Desenvolver a capacidade para encarar os riscos de novas
experiências e escolhas.
Capacidade de sentir prazer e deixar fluir o prazer,
pois crescemos, de acordo com cada fase do nosso desenvolvimento
em direcção ao prazer.
Os
teóricos do desenvolvimento infantil, colocam
5 fases especiais que se forem adequadamente vividas,
dão-nos a integridade e o sentimento de amor
e inclusão de que tanto necessitamos para a auto-estima,
o alicerce básico do sucesso.
São
elas:
A capacidade de sermos bem-vindos ao mundo, logo quando
somos gerados, durante a gestação e a
seguir ao nascimento. A sensação de que
“querem-me aqui”, “sinto que sou desejado
nesta família e tenho um lugar dentro dela”;
A capacidade de ser cuidado, alimentado e ter a sensação
de que haverá sempre alguém por perto
quando precisar, isto é, minhas necessidades
são supridas com carinho, logo nunca me sinto
abandonado.
A possibilidade de explorar o mundo, de experimentar
a independência e a autonomia com segurança,
pois tenho um código constante que me permite
acertar ou errar com uma carga suficiente de emoção.
A possibilidade de ser criativo, de expressar os meus
afectos, meus medos, meus rasgos de genialidade e minhas
crises de tolice, sem que isto altere a ideia que tenho
de mim próprio, nem a capacidade de confrontar
quando discordo de algo.
A capacidade de mostrar amor, incorporar a minha sexualidade
e a capacidade para o trabalho e realização
no mundo.
Portanto,
em minha prática clínica, trabalho sempre
nestes cinco níveis, usando recursos disponíveis
na própria expressão humana: conteúdos
verbais, exercícios corporais para a expressão
emocional, massagem, meditações e práticas
relacionadas com a teoria sistémica.
Acredito que o processo terapêutico, segue um
caminho que pode transformar as dificuldades nestas
cinco fases, pois ajuda o individuo a restaurar a sua
própria capacidade de amar e acreditar na sua
capacidade evolutiva, centrada em sua auto-estima e
capacidade de ter a sua crença pessoal.
Encontrar
o nosso lugar no mundo, é antes de tudo, um lugar
de gratidão, um lugar na essência do ser.
Estela
Rubia de Paiva Rodrigues
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