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A Paragem do Tempo
por Valum Votan** (o que encerra o ciclo)

Parte I - Uma Alternativa...

Parar o tempo é dar-nos a nós mesmos a oportunidade de fazer uma pausa nos nossos caminhos e depois mudar de direcção, como o comboio quando muda de carril. E a nova direcção é a harmonia construtiva, paz criativa e a Segunda Criação.

Naturalmente podes pensar – qual o significado de parar o tempo? Como é que se pode parar o tempo? O tempo não está sempre a andar para frente, mais e mais e mais? Sim, mas há diferentes tipos de tempo. Estamos a falar de um tempo antigo e de um tempo novo. Sobre parar o tempo antigo e começar um tempo novo.
Como é que o tempo pode ser tão diferente? O que é que significa o tempo? Qual é a relação entre o tempo e a sabedoria? Como é que o tempo em que vivemos afecta aquilo que sabemos?
Nunca te perguntaste, quando olhas as estrelas à noite, onde estarás? Que significado poderás ter neste universo tão vasto? Como é que vieste parar aqui neste preciso momento do tempo? Porque é que estás a viver este tempo e não outro?  Qual é o teu propósito, e como este propósito se relaciona com o tempo? Como é que o tempo pode dar-te o significado da tua vida?

O que é o Tempo?

Existem tantas expressões populares acerca do tempo. Mas quem realmente sabe o que é o tempo? Não podes vê-lo, tocá-lo, prová-lo ou senti-lo. Mas podes sentir que está a acontecer, ou não. O tempo ás vezes é lento, e outras vezes rápido. Seja o que for, sabemos que algo se passa. Será que estamos a ser puxados implacavelmente para o nosso fim? E o que estará a puxar-nos – será o tempo?

Existem todas estas experiências de tempo a que chamamos de experiências subjectivas. O sentido do tempo que sentimos dentro de nós.

E depois existe o tempo do dia, do sol, da lua e das estrelas. E o tempo das estações do ano. O que é que isto tem a ver com as experiências subjectivas que temos do tempo? Claro que, quanto mais vivermos nas cidades, menor é a nossa atenção, menos nos apercebemos do nascer e pôr-do-sol, as fases da lua, as rotações das constelações no céu.

O movimento e padrões do sol, lua e as estrelas têm tudo a ver com o que chamamos de Tempo Natural. O Tempo Natural é o tempo da natureza, do sistema solar, da galáxia, do universo – do cosmos em si. Será que existem padrões cósmicos do tempo, e se há, como reconhecê-los? Se já tiveste a oportunidade de passar algum tempo num lugar selvagem, reparaste que os pássaros ou animais são governados pela noite e dia, pelo nascer do sol e pôr-do-sol, assim como a mudança de estações? E o teu corpo – consideras que faz parte da natureza, da maneira como os pássaros, árvores e animais fazem? Sem ter que pensar demasiadamente neste assunto, parece óbvio que existe realmente uma diferença entre o tempo das cidades e o tempo da natureza. Qual é, esta diferença?

Será possível haver tempo artificial e tempo natural? Se és um habitante urbano, o teu tempo não é governado pelo sol, lua e estrelas. É governado por um calendário e um relógio. Desde que saibas qual é o dia da semana e as horas, não precisas realmente saber quando é que o sol nasce ou põe-se ou qual é a fase da lua.

Toda a civilização moderna está absolutamente dependente do relógio, enquanto os teus dias são contados por um calendário de 12 meses pendurado na parede. Ou na tua agenda diária ou electrónica.

Seria académico considerar todas as definições de tempo. O que é importante é a tua experiência de tempo, e o facto de estarmos todos a viver num tempo muito estranho e difícil. Porquê assim? Será que temos que estar consignados para sempre a viver num tempo difícil? Como é que se sai disto? Como é que chegamos a um novo tempo?

Talvez o tempo seja mais importante para ti do que originalmente pensavas. Talvez o tempo seja um instrumento de consciência que pode ajudar-te a vencer os sentimentos de abandono, desamparo, aborrecimento, falta de motivação e stress. Talvez precises de saber acerca do tempo para poderes sobreviver espiritualmente.

Tempo – É uma coisa espiritual

Quantas vezes já disseste para ti mesmo ou a alguém “ Preciso de tempo para mim”. O que é isso, e o que fazes quando tens tempo para ti?

A razão pela qual precisas de tempo para ti é porque existe demasiado tempo de outra pessoa na tua cara. Mesmo à tua frente. Precisas de estar sozinho – com a tua alma. É isto que significa realmente quando dizes que precisas de tempo para ti. Estar a sós com a tua alma deve ser o valor mais importante na tua vida. Nasces sozinho com a tua alma. E quando morres, é a tua alma sozinha que vai contigo.

O que a tua alma precisa, mais do qualquer outra coisa é de tempo. Tempo de qualidade. Esta é uma expressão que se usa bastante. Mas o que realmente significa? Que não existe qualidade no resto do teu tempo?
Sim, tempo de qualidade parece ser aquele tempo que não estás a fazer o que o relógio te diz para fazeres.
Eu estou a falar do teu tempo. O acordar da tua consciência do tempo. Para fazer isto tens que perceber um ponto essencial: Tempo – é uma coisa espiritual.

O Tempo e a tua Mente

Vamos dar uma olhadela à tua mente. Primeiro que tudo, achas mesmo que podes usar um relógio e achares que este não afecta a tua mente? Ou o calendário que está pendurado na tua parede – achas mesmo que isto não afecta a tua mente?

Tenta imaginar um mundo sem Fevereiro ou 25 de Abril ou 25 de Dezembro. Estas datas  são aceites como verdades absolutas, mas sabes que elas não existem em parte nenhuma a não ser na mente – na tua mente? Uma árvore não conhece o 25 de Abril ou o 25 de Dezembro. Uma rocha então, ainda menos se preocupa com isso. Se fores a Neptuno, Abril não significaria nada. Mesmo assim, este tempo está tão incorporado na tua mente, na mente de todos, como se fizesse parte dela.
O incrível, é que, a maioria das pessoas nem sabe que este calendário só existe, “só circula por aí” à 400 anos. Se contares, 2000 é antecessor, o Juliano. Mas sabes o que é 2000 anos para a história da terra que tem mais que 4 biliões de anos?

Já te perguntaste da quantidade de coisas que pões na tua cabeça sem nunca sequer questioná-las?
A isto chama-se dogma.

Este é exactamente o mesmo caso que o calendário que usas, o gregoriano. Provavelmente nem sabes porque é que se chama calendário gregoriano.
O problema aqui é que quando tu aceitas tudo sem questionar, torna-se uma realidade nua e crua para ti, acabas por “empenar” a tua mente. O conceito de tempo que está guardado como uma relíquia neste tipo de calendário, para não mencionar o tipo de conceito de tempo que pensas que está a tick tack no teu relógio, tem um profundo efeito na tua mente. Não só à tua mente como virtualmente a todas as mentes de todos os humanos deste planeta. E se estes conceitos de tempo estão – errados?

Toda a raça humana poderá estar errada ou em erro acerca de alguma coisa? É um estranho pensamento, este, não é? Bem, sendo ou não um pensamento muito estranho, e se for verdade? Que tipo de realidade é criada por ti quando a tua mente está em erro com alguma coisa? De certeza que já ouviste o provérbio, tu és aquilo que pensas. Se uma pessoa usa um tipo de medidas que é desonesto, não achas que esta pessoa se tornará desonesta também? E o mundo criado por si, não será também desonesto?
Sabemos que talvez até tenhas pensado na tua mente ou feito alguma prática de meditação. Sentado agora e observando a tua mente podes estar a aceitar estas ideias, que estou a partilhar contigo, como mais outras e estares a dissolvê-las, e pensando “são só mais umas ideias. Na realidade absoluta, nada é real, todos os pensamentos são desprovidos de substância. Portanto, o que tudo isto importa?

E quando terminas a tua meditação e levantas-te, e olhas para o teu relógio e apercebeste-te que já estás atrasado para o teu próximo encontro. De repente, neste momento, o teu coração começa a bater mais depressa, esquecendo completamente que a uns minutos atrás estavas num estado de contemplação, nirvana. Quem te está a vigiar – a tua mente ou o teu relógio?

Porque é que tens que ter um horário de trabalho de 8 horas que cumpres respeitosamente? Afinal, quem és tu, na realidade? Estás a representar para ti próprio, ou és apenas mais um encaixe, uma peça desta grande máquina chamada – civilização?

Não quero ser rude, mas ás vezes tens que pensar nisto tudo. Especialmente se tens uma alma e se pensas que também tens uma mente. Claro, que todas as outras pessoas parecem estar na mesma situação. Mas serve isto de desculpa, ou torna as coisas mais fáceis? Não. De maneira nenhuma. Significa somente que tens muita companhia, e como se costuma dizer, quanto mais melhor, e que assim podes esquecer tudo isto. Esquecer o quê? Esquecer este sentimento torturante que és apenas um encaixe, uma peça de uma máquina, que nem é sequer feita por ti?
Ok. Vamos olhar para a tua vida. A tua vida é uma série de padrões. O básico nestes padrões é esta coisa de sete dias chamada semana, e esta semana é o mesmo padrão para mais ou menos todas as pessoas. Tem 5 dias úteis, de trabalho, e depois uma coisa chamada de fim-de-semana, para depois repetir-se novamente. De onde vem isto? Há quanto tempo isto tem sido assim?
Antes de respondermos a esta questão vamos ver o que isto tudo significa.
A semana de trabalho é regulada pelo relógio, que é também referido como das 9 às 5. E portanto, o sábado e o domingo deveriam ser tempo para a alma. Mas será que é? Bem, talvez um pouco. Há a missa ao domingo, uma hora talvez para a alma. Ou talvez a sinagoga ao sábado. Mas o que vem a ser realmente estes “fim-de-semana”? É acerca de matar o tempo. É desporto e entretenimento. Rugby, basketball e baseball. “Big Time”. Se estás no resto do mundo, é futebol. “Very big time”. Se não fosse por causa da televisão, isto não teria sido tão grande. Mas tudo vem à mão. Televisão, fim-de-semana, e grande tempo de desportos. Faz tudo parte da mesma coisa.

Eu sei, que tu, talvez não faças isto. Talvez faças outra coisa qualquer. Vais fazer sky ou windsurf. Talvez vás ao cinema, ou dançar, ou talvez então ir jogar um pouco ao casino. Ou vês o discovery channel. Ou um workshop de auto-desenvolvimento. Não interessa, porque, novamente será segunda-feira e toda aquela sequência repete-se.

A questão aqui é que todo o teu show, o tempo todo da tua vida, reduz-se a este padrão de semana. E está a matar-te. Estás simplesmente a pôr a tua alma num colete-de-forças durante 7 dias. Quando a alma sufoca, tu ficas ainda mais aborrecido e com uma necessidade de estares mais distraído com alguma coisa.
Estás a ver o que está a acontecer? Nem sequer estás bem vivo. Porque é a tua alma que realmente vive, e se não começares a dar à tua alma o tempo que ela precisa, então o tempo está a matar-te, o tempo do relógio e do calendário que está implantado na tua mente.

A continuar..

** José Arguelles, Ph.D. em História de Arte na Universidade de Chigago. Arqueólogo, Professor e educador, ensinou em várias universidades.  Como poeta, crítico de arte e filósofo, os seus trabalhos têm sido publicados em muitos jornais que se dedicam à divulgação de um pensamento de vanguarda. Dele, a editora Pensamento já publicou Os Surfistas do Zuvuya e o Factor Maia..

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