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A Paragem do Tempo II
por Valum Votan** (o que encerra o ciclo)

Parte II - O começo do Caminho na busca do Conhecimento do Tempo

Em qualquer confronto honesto em relação ao que realmente se passa no mundo, deves começar primeiro por ti. Mudar a tua atitude é o primeiro passo para mudar o teu mundo. Torna-te a mudança que queres ver.

Já falámos de tempo de qualidade. O tempo real de qualidade é o tempo da alma. Como é que podes lidar com a tua alma? Primeiro que tudo, tens que arranjar espaço para isso. Tens que dizer, não! Eu não vou ligar a televisão. Durante a próxima hora eu vou lidar com a minha alma. Eu vou dar à minha alma algum tempo de qualidade.

Para fluíres com o tempo natural tens que estar disposto a admitir que o tempo em que tens vivido talvez esteja todo errado. Admitir isto é o primeiro passo para ter de volta o teu poder.

Lembra-te, conhecimento é poder.

Do “Tempo é Dinheiro” ao “Tempo é Arte”

Ok. Vamos agora lidar com a parte mais difícil, entrando dentro do sistema que acredita e diz que tempo de qualidade existe na forma – tempo é dinheiro. Vamos lidar com aquela questão bónus: Qual é a relação entre tempo e dinheiro e o facto de teres tão pouco tempo?

Tempo é dinheiro. Já ouvimos esta expressão muitas e muitas vezes. Quem é que a disse primeiro? Foi talvez o Sr. Ben Franklin, que também disse, “ A penny saved is a penny earned? “ (um tostão poupado é um tostão ganho?”) Esta frase parece ser a base das poupanças nos bancos. E de onde surgiu a ideia do juro, e como está relacionado com o tempo é dinheiro? Quem é que inicialmente veio com esta ideia que senão pagarmos até um certo tempo, o dinheiro que se deve aumenta?

Estas ideias estão tão arraigadas na nossa cultura que raramente se pára para pensar duas vezes sobre isto. Mais um dogma para a nossa mente e alma. Lembra-te que estamos no caminho para a libertação – livres de todos os dogmas! Vamos então ver o que se passa!

Sim. O que significa mesmo, tempo é dinheiro?

O que significa é isto: o valor de alguma ou de alguém é igual ao tempo que leva a fazer ou a tirar algum proveito disso.

Pensa bem nisto. Quer então dizer que alguma coisa tem valor somente se pudermos fazer dinheiro com ela? Ou o valor de alguma coisa é de alguma maneira calibrado com quanto dinheiro vale? Pensa em ti por exemplo. O teu salário diz aquilo que tu vales. É tudo isso que vales? O que é esse salário? É o retorno em dinheiro de todo o tempo que passaste fazendo um tipo de trabalho. Tu vales tantos euros por hora, por semana, por mês, por semestre, por ano. E depois pagas impostos se vales muito.

Das nove às cinco significa que é o relógio do tempo que muda o teu ser para o equivalente em dinheiro, normalmente 5 dias por semana. Mas há aqui uma rasteira. O equivalente em dinheiro para duas pessoas que trabalham das nove às cinco pode ser radicalmente diferente. Um ajudante de cozinha no MacDonald´s vai fazer muito menos dinheiro, trabalhando a mesma quantidade de horas, que um corretor da bolsa. Podemos ver como é que o valor aumenta não só pela quantidade mas também o tipo de educação. Um corretor da bolsa ganha mais que um professor.

Não interessa o quanto nós tentamos, quando estamos a lidar com dinheiro, não podemos escapar a assuntos como a educação e desigualdade. O valor mais alto na sociedade é quanto mais dinheiro fizeres melhor. Uma pessoa que se tenha tornado bilionária rapidamente vai estar no topo da imprensa. Isto porque conseguiu converter uma quantidade pequena de tempo numa quantidade máxima de dinheiro. No mundo do tempo é dinheiro, conseguir isto é considerado um super herói. O que é que achas que os pássaros pensam disto? Talvez pensem, o que é que interessa? Não podes comer dinheiro, pois não?

Claro que o propósito em receber dinheiro na troca do tempo que despendes é que não possas conseguir nada sem dinheiro.

Pensa nisto: Tu pagas para nascer, para viveres e pagas para morrer.

Por outras palavras, cada segundo do teu tempo e de todas as outras pessoas é pré-calculado de acordo com o seu valor em dinheiro. Achas que a intenção de Deus e para a sua Criação era esta? Porque é que será que nós humanos, temos que pagar para simplesmente estarmos vivos? Será que os golfinhos pagam para nascer? Os sapos pagam para comer? Os macacos pagam para morrer? Que outras espécies têm o conceito “custo de vida”?
O dinheiro não tem nada a ver com o tempo, não com o tempo real. Não podes pôr um valor monetário na tua alma. E se pões, bem, é só para vendê-la ao diabo! É isso que estás a fazer quando procuras o tal emprego bem pago – estás a vender a tua alma ao diabo?
Eu sei que ficas desconfortável ao pensares nisto, mas pensa em todos os compromissos que fazes na tua vida, só pelo dinheiro.

Se tempo de qualidade significa o tempo em que não estás a fazer dinheiro, podes começar a ver porque é tão difícil arranjar tempo de qualidade. O dinheiro domina de tal forma a tua vida, que a maioria do teu tempo é gasto em fazer dinheiro, sair para comprar coisas com o teu dinheiro, tomar conta das coisas que o teu dinheiro comprou (que custa sempre mais dinheiro), ou procurando um escape para todas as tensões que o fazer dinheiro provoca na tua mente e corpo, que também por sua vez custa dinheiro.

Já reparaste também, que o tempo parece estar a acelerar? Qual é o tempo que acelera?
São as máquinas que estão a acelerar, que criam o efeito que o tempo está a andar mais depressa. E as máquinas estão, onde o dinheiro estiver. Então, quanto mais as máquinas aceleram, mais dinheiro tem que ser feito, e assim o teu tempo torna-se mais rápido na roda da vida criada pelo tempo é dinheiro em que mais coisas precisas de ter para acompanhar o dinheiro. É por isso que sentes que não tens tempo suficiente. Irónico? Paradoxal? Diz-me tu.

Quando as máquinas foram inicialmente introduzidas na sociedade, foram descritas como instrumentos para economizar o tempo. Serão as máquinas uma função do tempo artificial? Pensa nisto. O relógio foi a primeira máquina. Tira o relógio e toda a sociedade artificial fica destruída.

Sim, o tempo dos humanos está a acelerar. Quão rápido pode ir antes de bater? Sim, o tempo é dinheiro. Quanto mais rápida a máquina mais rápido o dinheiro. Mais rápido o tempo. Já reparaste que quando vais muito depressa, parece que te esqueces dos pormenores?
Pode haver algo de muito trágico neste cenário.

Será esta a única maneira para a corrida humana? É este tipo de vida que lutamos para defender?
Imagina um mundo em que tempo de qualidade é mais importante que tempo é dinheiro. Imagina um mundo em que o tempo é dinheiro é considerado uma ilusão. Consegues imaginar? Se o tempo está a matar-nos e o tempo que nos mata é o tempo em que tempo é dinheiro, e se este tempo é inseparável do calendário antigo – podemos mudar? Poderia um novo calendário assegurar que o tempo é arte, o valor predominante?

A continuar..

** José Arguelles, Ph.D. em História de Arte na Universidade de Chigago. Arqueólogo, Professor e educador, ensinou em várias universidades.  Como poeta, crítico de arte e filósofo, os seus trabalhos têm sido publicados em muitos jornais que se dedicam à divulgação de um pensamento de vanguarda. Dele, a editora Pensamento já publicou Os Surfistas do Zuvuya e o Factor Maia..

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http://www.pan-portugal.com/

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